Fui denunciado na Lei Maria da Penha: quais são meus direitos?


Receber a notícia de uma denúncia fundamentada na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) é um momento de extrema gravidade que exige serenidade e, acima de tudo, orientação jurídica especializada. Independentemente da natureza do conflito, o ordenamento jurídico brasileiro assegura que todo cidadão possui direitos inalienáveis durante o processo penal. No escritório da Dr.ª Marcela Salvador, nossa atuação pauta-se no respeito às garantias constitucionais, garantindo que o contraditório e a ampla defesa sejam exercidos com rigor técnico.

Se você foi denunciado, o primeiro passo é compreender que uma denúncia é o início de um rito processual, e não uma condenação antecipada. Abaixo, detalhamos os direitos fundamentais que protegem o acusado neste contexto.


1. O Direito à Defesa Técnica Especializada

O direito mais básico de qualquer pessoa denunciada criminalmente é o de ser assistida por um advogado. Na Lei Maria da Penha, a celeridade das medidas protetivas e a severidade das penas tornam a presença de um especialista em Direito Penal indispensável.

A defesa técnica não serve para "obstruir a justiça", mas para garantir que a lei seja aplicada sem excessos. Muitas vezes, denúncias são feitas de forma genérica ou baseadas em fatos distorcidos. Somente uma análise jurídica minuciosa pode identificar falhas na acusação e apresentar a versão do denunciado de maneira adequada ao magistrado.


2. O Direito ao Contraditório e à Ampla Defesa

Embora as Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) possam ser concedidas de forma liminar (sem que o denunciado seja ouvido primeiro), isso não significa que ele não terá o direito de se defender. Assim que você é intimado sobre uma medida protetiva ou citado em um processo criminal, abre-se o prazo legal para apresentar sua Resposta à Acusação.

Neste momento, você tem o direito de:

Apresentar provas documentais (prints, áudios, vídeos);

Arrolar testemunhas que presenciaram os fatos;

Requerer perícias, caso existam alegações de agressão física que precisem ser confrontadas com laudos médicos.


3. A Presunção de Inocência

Este é um pilar do nosso Estado Democrático de Direito. Até que o processo transite em julgado (ou seja, até que não restem mais recursos), o denunciado deve ser tratado como inocente. Na prática da Lei Maria da Penha, infelizmente, existe um forte estigma social que tende a prejulgar o acusado.

A atuação da Dr.ª Marcela Salvador foca em blindar o cliente contra condenações morais antecipadas, exigindo que o Ministério Público cumpra seu dever de provar, acima de qualquer dúvida razoável, a autoria e a materialidade do crime imputado.


4. O Direito ao Sigilo e à Dignidade

Muitos processos que envolvem violência doméstica correm sob Segredo de Justiça. Isso visa proteger a intimidade das partes e evitar que o conflito familiar seja exposto publicamente, o que poderia causar danos irreparáveis à imagem profissional e pessoal do denunciado. Você tem o direito de que o processo não seja divulgado a terceiros e de ser tratado com respeito por todas as autoridades policiais e judiciárias envolvidas.


5. O Direito de Não se Autoincriminar

Conhecido como Nemo Tenetur se Detegere, este princípio garante que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Se você for chamado para prestar depoimento em uma delegacia ou em juízo, tem o direito constitucional de permanecer em silêncio.

É fundamental ressaltar: o silêncio não é uma confissão de culpa. Muitas vezes, o silêncio estratégico é a melhor recomendação da defesa enquanto não se tem acesso integral às provas colhidas pela investigação.


Os Perigos do Descumprimento de Medidas Protetivas

Um direito fundamental que deve ser exercido com cautela é o de recorrer de decisões desfavoráveis. Se uma medida protetiva foi imposta (como o afastamento do lar ou a proibição de contato), você deve cumpri-la rigorosamente, mesmo que discorde dos fatos narrados.

O descumprimento de medida protetiva é um crime autônomo (Art. 24-A da Lei Maria da Penha) e pode ensejar a decretação de sua prisão preventiva. Caso a medida seja injusta ou baseada em mentiras, a Dra. Marcela Salvador buscará a revogação ou modificação desta ordem pelas vias judiciais cabíveis, nunca através do confronto direto.


Conclusão: A Importância da Estratégia Jurídica

Ser denunciado não define quem você é, mas a forma como você reage a essa denúncia definirá o seu futuro. A Lei Maria da Penha é complexa e possui nuances que exigem um olhar atento às provas digitais e testemunhais. A defesa não busca a impunidade, mas sim o equilíbrio da justiça, garantindo que o processo não se torne um instrumento de perseguição injusta.

Se você está enfrentando uma denúncia, não tente resolver a situação por conta própria tentando contatar a suposta vítima ou agindo por impulso. Procure o amparo da lei e exerça seus direitos com a ajuda de quem entende do assunto.

MSR Advocacia em Direito Penal
Dr.ª Marcela Salvador | Advogada Criminalista